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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O que é sabedoria?


por George Whitefield 
In: Cristo: Sabedoria, justiça,  santificação e redenção 
"Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção." 1Co 1:30
No que, então consiste a sabedoria verdadeira? Se eu lhes perguntasse, talvez alguns responderiam: "em satisfazer a concupiscência da carne, e em dizer à sua alma: come, bebe, e se alegre", essa porém não passa de sabedoria de ignorantes, os quais têm tanto gosto e apetite pelos prazeres sensuais, como o maior epicurista na terra. 

Outros me diriam que a verdadeira sabedoria consiste em adquirir casas e campos e em chamar as terras pelos seus próprios nomes. No entanto, essa não pode ser a verdadeira sabedoria, pois as riquezas freqüentemente criam asas e voam para longe, como uma águia em direção aos céus. Até a própria sabedoria nos assegura que "a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui". Vaidade, vaidade, todas essas coisas são vaidade, pois se as riquezas não abandonam o dono, o dono logo terá que deixar as riquezas, "porque os ricos também devem morrer, e deixar suas riquezas aos outros"; suas riquezas não podem livrá-los do sepulcro, para onde todos nós estamos indo rapidamente.

Mas talvez vocês desprezem as riquezas e os prazeres e, portanto digam que a sabedoria é aquela que se acha nos livros. Contudo é possível que saibam contar o número das estrelas e citar os nomes de todas elas, e ainda permaneçam tolos. Os homens cultos nem sempre são sábios; não, a cultura que geralmente recebemos — tão louvada por todos — torna os homens em meros estultos habilidosos. 

Não querendo deixá-los num suspense, mas intentando humilhá-los ao mesmo tempo, vou mandá-los para uma escola pagã, a fim de aprenderem o que é a sabedoria verdadeira. Conhece-te a ti mesmo era o ditado de um sábio da Grécia; essa certamente era sabedoria verdadeira, e semelhante àquela mencionada no texto, o qual diz que Jesus Cristo Se tornou sabedoria para todos os eleitos. Eles são obrigados a conhecerem a si mesmos, de modo que não tenham um conceito elevado de si próprios. 

Antes estavam nas trevas; agora, são luz no Senhor; e nessa luz, vêem as suas próprias trevas; agora lastimam sua condição de criaturas caídas por natureza, mortas nas transgressões e nos pecados, filhos e herdeiros do inferno, e filhos da ira. Percebem agora que toda a sua justiça é apenas como trapos de imundícia; que não há saúde na sua alma; que são pobres e miseráveis, cegos e nus; e que não há outro nome dado debaixo dos céus, mediante o qual possam ser salvos, senão o de Jesus Cristo. Vêem a necessidade de abraçar o Salvador, e percebem a sabedoria de Deus ao designá-lO para ser Salvador. Além disso, são tornados dispostos a aceitarem a salvação segundo as condições impostas por nosso Senhor, e a recebê-lO como seu tudo; assim Cristo Se lhes torna sabedoria.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O padrão de justiça do homem e o de Deus

 por J. N. Darby
In: Um Deus Justo e Salvador


Todas as pessoas têm um certo conhecimento do bem e do mal; tal coisa elas dizem ser boa e tal coisa má. Mas talvez não existam duas pessoas que possuam exatamente o mesmo padrão do que seja bem e do que seja mal. O que as pessoas fazem é estabelecer um tal padrão do bem que possa incluir a elas próprias, e um tal padrão de mal que as exclua, e inclua outras. 

Por exemplo, o alcoólatra acha que não há muito mal em beber, mas poderia considerar um grande pecado roubar. O ambicioso, que talvez pratique todos os dias alguma fraude ou algum desfalque "no mundo dos negócios", procura justificar-se com o pensamento de que é necessário e normal agir assim nos negócios, "e, para todos os efeitos, não fico bêbado ou praguejo e blasfemo como os outros fazem", diz ele. 

Aquele que é imoral se orgulha de ser generoso e ter um bom coração para com os outros, ou, como se costuma dizer, "não faz nenhum mal aos outros, exceto a si mesmo". O homem honesto, moral, amável e cuidadoso para com sua família, satisfaz a si próprio fazendo o que ele chama de seu dever, e olha ao seu redor e se compadece dos pecadores declarados que vê; mas nunca considera quantos pensamentos maus, quantos desejos pecaminosos já produziu seu coração, mesmo que desconhecidos dos outros. Porém Deus julga o coração, apesar de o homem enxergar apenas a conduta exterior. Assim, cada um se compraz por não estar fazendo algum tipo de mal, e se compara sempre a alguém que tenha cometido algum pecado que ele acha haver conseguido evitar. 

Isso tudo prova que os homens não julgam a si próprios segundo um padrão único do que seja "bem" e do que seja "mal", mas tão somente tomam como sendo "bem" aquilo que mais lhes agrada e condenam os outros. Mas há um padrão, com o qual tudo será comparado, e de acordo com o qual tudo será julgado -- um padrão de justiça; e tudo o que não corresponder a ele será condenado eternamente. Este padrão não é nada menos do que a justiça de Deus. 

Quando alguém começa a descobrir que não é comparando a si próprio com os outros que ele será julgado, mas pela comparação com o próprio Deus, então sua consciência começa a ser despertada para pensar a respeito do pecado como quem está diante de Deus. Aí sim ele se reconhecerá culpado e arruinado; e não tentará justificar a si mesmo apontando para alguém que seja pior, mas ficará ansioso por saber se é possível que Deus, diante de quem ele sabe estar condenado, poderá desculpá-lo ou perdoá-lo.